Os felinos são predadores natos e carnívoros estritos, ou seja, seu organismo é adaptado a uma dieta composta majoritariamente por proteína animal. Outra característica herdada de seus ancestrais é a baixa ingestão de água, pois gatos selvagens que viviam em regiões desérticas.
Ao contrário dos cães, que mantêm a ingestão de água quando a água proveniente do alimento é diminuída, aumentando proporcionalmente o consumo de água no bebedouro, os gatos nem sempre compensam essa ingestão em quantidade suficiente para manter o consumo total de água quando se alimentam com dietas contendo baixo teor hídrico. Entretanto, o baixo consumo de água pode predispor a doenças, como urólitos (“pedras” ou “cálculos” causados pela aglomeração de minerais no trato urinário).
Dessa forma, há a necessidade de incentivar a ingestão hídrica, para evitar o desenvolvimento de doenças urinárias e renais, como a DRC (doença renal crônica) por exemplo. Para isso, uma das estratégias é a utilização de alimentos úmidos, frequentemente na forma de sachês, que apresentam uma série de benefícios para os gatos:
- Aumento da ingestão de água: Sachês fornecem 70% a 85% de umidade, ao contrário da ração seca, que oferece 10%. Assim, são capazes de suprir boa parte da necessidade hídrica do gato.
- Diminuição do risco de doenças no trato urinário: como possuem altas quantidades de água, podem prevenir distúrbios no trato urinário, comuns entre os felinos. Estudos mostram que gatos alimentados com dietas úmidas produzem mais urina, com menor concentração de solutos, reduzindo o risco de cálculos urinários.
- Auxílio no controle do peso: a alta quantidade de água das rações úmidas podem ajudar a prevenir a obesidade, uma vez que oferecem maior volume para a mesma quantidade de calorias, aumentando a saciedade.
- Facilitação na mastigação do alimento: por apresentar consistência mais mole, auxilia na alimentação naqueles animais que apresentam comprometimento na dentição, malformações na cavidade oral ou inflamações como gengivite e estomatite.
- É atrativo: os sachês possuem textura, sabor e composição parecidos com as presas caçadas na natureza, com alta proporção de proteínas, bastante água e baixo teor de carboidratos, sendo uma opção atrativa. Ainda, os sachês chamam a atenção dos pets por causa de seu odor acentuado, que os torna mais apetitosos.
- É variado: há diversas opções de sabores, texturas e ingredientes, permitindo alimentação balanceada e variada.
- Contribui para o bem-estar geral: o ato de lamber o sachê estimula comportamentos naturais de autoalimentação e prazer, ajudando na redução do estresse e constituindo uma forma de enriquecimento ambiental. Além de representar uma forma de alimentação que melhora a relação tutor–gato.
- Pode ser usado para administrar medicamentos: os alimentos úmidos podem ser usados para esconder comprimidos ou misturar suplementos, sendo uma forma eficaz de garantir a ingestão.

Como utilizar:
Os alimentos úmidos podem ser usados tanto como petiscos quanto como dieta única, mas atenção! Sachês só podem ser ofertados como base da dieta (ou seja, sem utilização de ração seca) caso sejam alimentos completos. Você pode conferir a classificação no rótulo do produto. Por outro lado, caso o sachê não seja classificado como completo, deve ser usado apenas como petisco, limitado a 10% das calorias diárias.
Orienta-se que o tutor busque um médico veterinário nutrólogo para indicar as melhores opções de sachê e quantidades diárias de seu consumo para o felino em questão, pois cada animal apresenta distintas particularidades fisiológicas e possíveis doenças que devem ser consideradas antes que sejam feitas alterações na dieta do animal.
Fontes:
CASTILHO, Carolina; GERALDO JUNIOR, Edvaldo. Relação entre manejo alimentar e ocorrência de doenças do trato urinário em felinos domésticos na cidade de Cascavel/PR. Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária FAG, Cascavel, v. 7, n. 1, p. 198-209, jan./jun. 2024. Disponível em: https://revistas.fag.edu.br/index.php/ABMVFAG/article/view/2051/1763
CARCIOFI, A. C. et al. Influence of water content and the digestibility of pet foods on the water balance of cats. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, São Paulo, 2005.