Coprofagia em cães: por onde começar?

A coprofagia, ato de ingerir fezes, pode causar grande preocupação para os tutores de cães, levando-os a procurar ajuda de médicos-veterinários e zootecnistas. No entanto, as razões pelas quais esse comportamento acontece ainda são escassas e os próprios profissionais têm dificuldades em orientar da forma correta. Diversos medicamentos disponíveis no mercado podem ser prescritos para essa situação, mas, em sua maioria, não possuem eficácia comprovada por testes clínicos e científicos.

Mas, afinal, é realmente necessário tratar a coprofagia como uma doença? Depende! Apesar de repulsivo, esse comportamento não é anormal no mundo animal. Pode ser manifestado por lobos e coiotes, por exemplo, que o fazem para reduzir o número de larvas de parasitas no ambiente. A partir desse exemplo acredita-se que, de alguma forma, cães podem ingerir fezes quando estão parasitados – ainda que, na maioria das vezes, os cães coprofágicos estejam devidamente vermifugados e, portanto, o ato de comer fezes não tem relação com essa teoria.

Coprofagia em cães: por onde começar?

Além desse exemplo, podemos citar as fêmeas de diversas espécies de mamíferos que ingerem as fezes dos filhotes para reduzir o odor do ninho e protegê-los de predadores. Os filhotes também interagem com as fezes durante a fase exploratória de seu crescimento. Assim, percebe-se que o tratamento comportamental da coprofagia teria somente o propósito de melhorar a relação homem e animal, visto que, desde que as fezes ingeridas sejam de animais saudáveis, o comportamento não causa prejuízos à saúde do animal e do tutor.

Entretanto, em algumas situações, a coprofagia pode ser um sinal clínico de doenças que aumentam o apetite ou até mesmo um sinal de fome, em situações em que um animal submisso precisa competir por alimento. Baseado nessas informações, obtidas durante a conversa com o tutor, o médico-veterinário orientará a problemática de forma que o animal seja tratado para a doença de base, caso ela exista, para que o cão não seja contaminado por patógenos de outros animais pela via oral, bem como para que a família não corra o risco de desenvolver doenças (zoonoses).

Por fim, à exceção dos casos em que existam doenças de base, os médicos-veterinários devem encaminhar esses pacientes para serem orientados por um especialista da área.

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