A aerofagia é definida como a “ingestão de ar em excesso” e pode ser presente frente a atividades de rotina, como consumir líquidos, falar, rir e até mesmo ao comer. No geral, em cães e gatos, a aerofagia não predispõe a problemas severos de saúde. No entanto, em situações específicas, pode estar associada a algumas condições clínicas, embora raras, como a pneumonia por aspiração em cães, sendo também observada com maior frequência em animais braquicefálicos (“com focinho curto”, como Pug e Bulldog).
Na rotina clínica, a aerofagia é frequentemente observada como consequência de comportamentos ansiosos ou de ingestão alimentar muito rápida. Cães e gatos que consomem o alimento de forma voraz tendem a ingerir maior quantidade de ar durante a refeição, o que pode resultar em sinais como flatulência (“pum”) e desconforto gastrointestinal.
Além disso, o tipo de dieta também pode influenciar esse comportamento. Dietas secas, representadas pelas rações comerciais extrusadas, geralmente são consumidas mais rapidamente quando comparadas às dietas úmidas (como os sachês), o que pode favorecer maior ingestão de ar durante a alimentação.

Por isso, a melhor forma de prevenir a aerofagia nesses casos é por meio do manejo da dieta, ou melhor, da forma que o alimento e a própria água são ofertados. Por isso, algumas orientações ao manejo podem ser uteis, como exemplo:
– Posicionamento do comedouro: na altura do peito do animal ou levemente elevados para cães de grande porte, ou em gatos ou cães pequenos, ligeiramente elevado ou ao nível do chão, auxiliam em uma postura mais confortável durante a alimentação.
– Fracionamento das refeições: dividir a quantidade total de alimento em mais refeições, em vez de fornecer apenas uma ou duas vezes ao dia, auxilia na redução da ingestão rápida, diminuindo a ansiedade alimentar.
– Utilização de comedouros interativos: auxiliam na redução da ansiedade e consequentemente no consumo rápido, aumentando o tempo da refeição.
Essas medidas representam dicas valiosas de prevenção e cuidado que podem ser bem-vindas para promover maior conforto aos animais de estimação. Apesar de muitas vezes passar despercebida, a aerofagia pode ser mais frequente do que imaginamos, como demonstram alguns estudos. Em anexo, incluímos um estudo que relata sua ocorrência, reforçando a importância de atenção ao manejo alimentar e ao comportamento dos animais.
Referências
Grobman, M.; Reinero, C.; Fowler, T. L.; Lever, T. E. Incidence and characterization of aerophagia in dogs using videofluoroscopic swallow studies. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 38, n. 3, p. 1449-1457, 2024.