A falta de apetite e seletividade alimentar em cães e gatos é frequentemente um sinal de que algo está errado: pode estar associada a náusea, doenças sistêmicas, ou até dores, feridas ou estresse. Dessa forma, é muito importante compreender o que está causando esse problema.
Entretanto, nem todo pet que se recusa a comer na hora em que a comida é colocada está se sentindo mal, pois o problema também pode ser associado ao condicionamento. Ou seja, nesses casos, o animal não perdeu o apetite por uma doença ou estresse, mas foi “ensinado” a não comer o que é oferecido.
O condicionamento é uma ferramenta muito útil para pets, e frequentemente é usado como forma de treinamento. De forma simplificada, significa associar uma consequência (muitas vezes positiva) a um comportamento. Por exemplo: se o animal ganhar um petisco toda vez que obedecer ao comando “senta”, eventualmente irá aprender esse truque. Se receber um petisco toda vez que entrar sozinho na caixa de transporte, também pode associá-la a algo bom e entrar por conta própria quando necessário.
Infelizmente, a mesma lógica vale para comportamentos indesejados. Imagine a seguinte cena: toda vez que seu cão recusa a ração seca, você mistura um pouco de carne moída. Sem perceber, pode estar ensinando que recusar comida = recompensa (um petisco). A mesma coisa pode acontecer com aqueles pets que só aceitam comer se o tutor estiver no mesmo cômodo, se receberem carinho ou se a comida for dada na boca. Nesse caso, a recompensa é a atenção de um humano.

Isso pode gerar problemas porque dificulta a alimentação do animal. Se o pet só come o que está misturado com outros alimentos, pode receber um excesso de petiscos, que aumenta o risco de desbalanço nutricional e ganho de peso. Se ele só come quando recebe atenção, isso pode fazer com que recuse comida caso seu humano precise se ausentar, como em viagens ou internações. Por isso, é interessante evitar esse tipo de condicionamento.
Não significa, é claro, que você precise deixar o pet sozinho com a comida ou que ele deva “passar fome” até aceitar comê-la. Mas é importante tentar evitar associar “recompensas” ao ato de recusar comida: em vez de misturar um petisco, recolha o alimento, guarde, e ofereça de novo depois. Se for tentar dar outro tipo de alimento, não o faça imediatamente após a recusa.
Além disso, como mencionamos no início, a falta de apetite é um sinal de alerta e pode estar associada a problemas mais graves. Por isso, caso seu animal esteja mais seletivo ou “sem fome” é importante contatar um médico-veterinário para verificar o que está acontecendo.