Injúria Renal Aguda (IRA) é uma lesão no tecido do rim (o órgão responsável por filtrar o sangue e eliminar toxinas pela urina), que pode vir acompanhada de perda de função. Quando o funcionamento renal é comprometido, ocorre acúmulo de toxinas, desbalanço nos minerais e na acidez do sangue e organismo, o que gera uma série de consequências clínicas que podem levar à morte.
A IRA pode ser classificada de acordo com a sua origem e forma de desenvolvimento: é considerada “pré-renal” quando algum fator diminui o fluxo de sangue para os rins, como a desidratação; “renal” quando há uma lesão direta ao tecido renal, como em casos de infecções, lesões mediadas pelo sistema imune, toxinas ou até cânceres; e é “pós-renal” quando os problemas acontecem depois do rim, como em obstruções do trato urinário. O tratamento da IRA envolve tratar a causa-base, quando possível, restabelecer a função dos rins e corrigir as manifestações clínicas. Nesse sentido, o suporte nutricional é um importante aliado, o qual pode desempenhar um papel intrínseco no manejo dos pacientes com IRA.
Para o manejo nutricional dos pacientes com IRA, é comum utilizar alimentos com alta energia e alta gordura, pois muitos desses animais apresentam alterações no apetite e podem não aceitar muita comida — usar um alimento com maior densidade energética ajuda a manter o fornecimento de energia, mesmo com o consumo reduzido.

No que diz respeito ao teor de proteína, há controvérsias. De modo geral, é recomendado que pelo menos a necessidade mínima diária de proteína seja atendida, embora restrição proteica possa ser recomendada para pacientes mais graves (isso depende muito da avaliação individual!) Além disso, o fornecimento de proteína de alta qualidade é importante para minimizar o risco de deficiência de aminoácidos essenciais. Por fim, o paciente pode se beneficiar do uso de quelantes de fósforo (a fim de corrigir o acúmulo de fósforo no sangue, que é comum nesses pacientes), suplementação de ômega-3 (que podem auxiliar no quadro inflamatório) e suplementação de antioxidantes (visando combater o estresse oxidativo).
Em última instância, é necessário dizer que a falta de apetite, anorexia e desenvolvimento de aversão a certos tipos de alimentos podem ser fatores determinantes na escolha do tipo de alimento fornecido. Para pacientes que não se alimentam adequadamente, pode ser necessário utilizar sondas de alimentação.
Vale destacar que cada caso deve ser sempre avaliado individualmente, visando atender adequadamente às necessidades de cada paciente.
Referências
ELLIOT, D. A. Nutritional support in acute kidney injury in dogs and cats. In: CHAN, D. L. (Ed.). Nutritional Management of Hospitalized Small Animals. John Wiley & Sons, Ltd., 2015.