Uma situação bastante comum relatada por tutores de cães é chegar em casa e encontrar a lixeira da cozinha completamente revirada. Além da bagunça, esse comportamento pode trazer riscos à saúde do animal e da família. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, esse tipo de atitude não está somente relacionado a problemas comportamentais do cão, mas também a instintos e características naturais da espécie.
Mas afinal, por que meu cão mexe no lixo?
Um dos motivos é a curiosidade natural da espécie e seu potente olfato. Estudos recentes mostram que os cães podem apresentar preferências por diferentes odores, inclusive por alguns que não costumamos associar imediatamente à comida, como mirtilo, amora e hortelã. Na prática, isso significa que, mesmo quando os responsáveis têm cuidado ao descartar restos de alimentos considerados mais atrativos, como carne ou frango, outros cheiros presentes na lixeira ainda podem despertar o interesse do animal e incentivá-lo a explorá-la.
Questões comportamentais também podem contribuir para esse hábito. Cães que recebem poucos estímulos mentais como passeios e enriquecimento ambiental, ou que passam longos períodos sozinhos, podem desenvolver tédio e ansiedade. Nesses casos, revirar o lixo pode se tornar uma forma de explorar o ambiente, ocupar o tempo ou até aliviar o estresse.
Outro fator que merece atenção é a alimentação do animal. Uma dieta inadequada, seja em quantidade ou qualidade nutricional, também pode aumentar o interesse do cão por restos de comida. Por isso, é importante avaliar se o alimento oferecido é completo e balanceado para a fase de vida do animal, se a quantidade diária atende às suas necessidades e se a forma de oferta das refeições contribui para promover saciedade ao longo do dia.

E quais são os riscos para a saúde do meu cão?
O acesso ao lixo pode representar riscos à saúde do cachorro e dos demais moradores da casa, especialmente crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas. Isso acontece porque o contato ou a ingestão de resíduos presentes na lixeira pode expor o animal, e indiretamente a família, a diferentes problemas de saúde.
A ingestão desses restos pode provocar desde desconfortos gastrointestinais leves até complicações mais graves. Embora alguns resíduos ingeridos possam ser eliminados sem maiores consequências, certos alimentos ou objetos presentes na lixeira podem causar intoxicações, lesões ou obstruções no sistema digestório.
Um dos problemas mais comuns é a intoxicação alimentar. Restos de comida estragada, alimentos mofados ou carne em decomposição podem provocar vômitos, diarreia e desidratação. Alimentos com mofo merecem atenção especial, pois podem conter micotoxinas, substâncias produzidas por fungos que, em casos mais graves, podem causar tremores e convulsões.
Outro risco importante envolve a presença de substâncias tóxicas no lixo doméstico. Ingredientes comuns na alimentação humana, como chocolate, cebola, uva, café ou produtos adoçados com xilitol, podem ser prejudiciais para os cães. Além disso, resíduos de produtos de limpeza ou outros compostos químicos descartados inadequadamente também representam perigo.
O lixo também pode conter objetos que oferecem risco físico. Embalagens plásticas, ossos, pedaços de vidro ou metal podem causar engasgos, cortes na boca ou ao longo do trato digestório. Da mesma forma, materiais como sabugos de milho, pedaços de tecido, borracha ou plástico podem provocar obstruções intestinais, impedindo a passagem normal do alimento.
Por fim, alimentos em decomposição e resíduos contaminados podem abrigar bactérias e outros microrganismos, como Salmonella, Escherichia coli e Campylobacter, capazes de provocar infecções gastrointestinais e outros problemas de saúde não somente aos animais, mas também aos outros membros da família, como as crianças e os idosos.
E como posso evitar que meu cão revire o lixo?
A prevenção é a estratégia mais eficaz para evitar que os cães tenham acesso ao lixo, especialmente porque muitos alimentos e objetos descartados podem representar riscos à saúde do animal e da família. Por isso, uma das medidas mais importantes é dificultar o acesso às lixeiras, utilizando recipientes com tampa bem ajustada e, sempre que possível, mantendo-os em locais menos acessíveis, como armários ou áreas fechadas.
Também é importante evitar que o cão desenvolva o hábito de procurar restos de comida. Desde cedo, recomenda-se não oferecer alimentos da mesa e desencorajar comportamentos como pedir comida durante as refeições, reduzindo o interesse do animal por resíduos alimentares.
Outra estratégia é atender às necessidades naturais de exploração e mastigação dos cães, oferecendo alternativas seguras, como brinquedos recheáveis ou itens próprios para mastigação. Aliado a isso, atividades, brinquedos e exercícios ajudam a manter o animal física e mentalmente estimulado, reduzindo o tédio e o interesse pelo lixo.
De modo geral, a combinação de manejo do ambiente, rotina adequada e estímulos suficientes é fundamental para reduzir esse comportamento e tornar o ambiente doméstico mais seguro para o pet e para toda a família.
Referências
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